embora me basteriando,
a saudade, a me bater,me esporeie vida a fora;
como gaúcho não chora
cantarei até morrer!
Diz que quem não chora chia,
por isso vivo a cantar;
não canto por alegria,
eu canto por não chorar.
Se, da vida troteada,
a saudade, em mim montada,
vou cantando vida a fora;
como diz que homem não chora
eu chio como a coruja!
Diz que quem não chora chia,
por isso vivo a cantar;
não canto por alegria
eu canto por não chorar.
E aqui termino meu canto,
pra chorar não tenho pranto
porque gaúcho não chora;
repontando meu passado,
pela saudade aplastado
termino a rebenque e espora.
Autor - Antônio Augusto de Oliveira
Rastro de um Charrua
Martins Livreiro-1973
